PENSAMENTOS CONSTRUÍDOS COM A LÓGICA CLÁSSICA; A EXISTÊNCIA DE OUTRAS
LÓGICAS
Mozar Costa
de Oliveira — bacharel em filosofia
(Universidad Comillas de Madrid), mestre e doutor em direito (USP), professor
aposentado de direito (Universidade Católica de Santos, São Paulo).
Introdução.
O nosso intuito neste trabalho é trazer aos leitores algumas
reflexões sobre diferenças entre as concepções do "senso comum" ou
'bom senso" e o conhecimento científico, mais seguro para a renovação
incessante da vida humana. Ao falarmos agora em renovação incessante, nos
firmamos numa axioma ou proposição havida como certa sem prévia demonstração.
Tal é o caso de afirmações como: "tudo se move", "podemos
melhoras as circunstâncias da existência", "podemos piorar as
circunstâncias da existência".
Precisaria, sim, de pesquisa e de demonstração é definirmos
o que seja progresso da vida humana. De todo modo, parece que temos elementos
de persuasão para se colher com alguma segurança cognitiva as notas próprias de
bem e de mal — bem e mal para o ser humano. O ser humano tem características de
animalidade porque nasce, sente, nutre-se, ativa-se, cresce, multiplica-se,
morre. De outro lado, algo mais
diferencia o animal humano dos outros animais. Só ele tem 1) capacidade
congênita de raciocinar e 2) capacidade de doar-se ao seu semelhante. Estas
duas capacidades são valorizadas pelos demais seres humanos. Quem as desenvolve
é mais estimado pelo seu círculo social, por seu grupo; merece mais, é mais
digno. É aí está o conceito de dignidade.
Tal raciocinação parece não se conformar, não se adequar, à lógica
"pura", à lógica clássica. Leva em linha de conta dimensões mais
complexas da realidade extramental. Para lograr a cada passo do processo a
"quidade", "aquilo que a coisa é", trabalha com vivências
inesgotáveis pela só clareza não contraditória. Esta vem a ser insuficiência
para o pensamento fluir a modo aceitável pela natureza humana.
O esforço deste trabalho é procurar outros caminhos
indispensáveis ao movimento do pensar humano.
Falaremos, pois, algo (1) da incerteza, 2) da relatividade
geral e generalíssima, 3) do teorema da incompletude
do processo humano de pensar e, por fim, 4) da "lógica paraconsistente".
Capítulo I — A incerteza
A Lógica e o princípio
da incerteza de Werner Karl Heisenberg.
O quanto passamos a citar agora é retirado à internet.
Quando se quer encontrar a posição de um
elétron, por exemplo, é necessário fazê-lo interagir com algum instrumento de
medida, direta ou indiretamente. Por exemplo, faz-se incidir sobre ele algum
tipo de radiação. Tanto faz aqui que se considere a radiação do modo clássico -
constituída por ondas eletromagnéticas - ou do modo quântico - constituída por
fótons. Se se quer determinar a posição do elétron, é necessário que a radiação
tenha comprimento de onda da ordem da incerteza com que se quer determinar a
posição.
Neste caso, quanto menor for o comprimento de
onda (maior freqüência) maior é a precisão. Contudo, maior será a energia
cedida pela radiação (onda ou fóton) em virtude da relação de Planck entre
energia e frequência da radiação e o elétron sofrerá um recuo tanto maior
quanto maior for essa energia, em virtude do efeito Compton. Como consequência,
a velocidade sofrerá uma alteração não de todo previsível, ao contrário do que
afirmaria a mecânica clássica.
Argumentos análogos poderiam ser usados para
se demonstrar que ao se medir a velocidade com precisão, alterar-se-ia a
posição de modo não totalmente previsível.
Resumidamente, pode-se dizer que tudo se passa
de forma que quanto mais precisamente se medir uma grandeza, forçosamente mais
será imprecisa a medida da grandeza correspondente, chamada de canonicamente
conjugada
Algumas pessoas consideram mais fácil o
entendimento através da analogia. Para se descobrir a posição de uma bola de
plástico dentro de um quarto escuro, podemos emitir algum tipo de radiação e
deduzir a posição da bola através das ondas que "batem" na bola e
voltam. Se quisermos calcular a velocidade de um automóvel, podemos fazer com
que ele atravesse dois feixes de luz, e calcular o tempo que ele levou entre um
feixe e outro. Nem radiação nem a luz conseguem interferir de modo
significativo na posição da bola, nem alterar a velocidade do automóvel. Mas
podem interferir muito tanto na posição quanto na velocidade de um elétron,
pois aí a diferença de tamanho entre o fóton de luz e o elétron é pequena.
Seria, mais ou menos, como fazer o automóvel ter de atravessar dois troncos de
árvores (o que certamente alteraria sua velocidade), ou jogar água dentro do
quarto escuro, para deduzir a localização da bola através das pequenas ondas
que baterão no objeto e voltarão; mas a água pode empurrar a bola mais para a
frente, alterando sua posição. Desta forma torna-se impossivel determinar a
localização real desta bola pois a própria determinação mudará a sua posição.
Apesar disto, a sua nova posição pode ser ainda deduzida, calculando o quanto a
bola seria empurrada sabendo a força das ondas obtendo-se uma posição provável
da bola e sendo provável que a bola esteja localizada dentro daquela área.[1]
A incessante busca de
ordem do pensamento deve-se em parte aos redemoinhos contínuos do cérebro em
meio à expansão incessante do Universo, tudo em alta velocidade. como nos dá
informes o estudo da astronomia. O nosso
ser, produtor de ideias, é atravessado continuamente por bilhões de neutrinos.
Em assim sendo, nunca somos idênticos a nós mesmos nos distintos momentos da
nossa vida. Algo assim como a teoria da incerteza de Heisenberg — sempre nos
movemos diante da mesma coisa
examinada. Ao observar o físico um elétron, não lhe é dado
ao mesmo tempo saber o local e a velocidade dessa partícula. Tem de escolher
"focando" ou uma coisa ou
outra. Parece que só estatisticamente
nos e´dado prever a possibilidade de uma partícula surgir mais vezes num lugar
do que em outro, sem certeza aritmética, porém. Além disto, as ditas partículas
ora se comportam como corpos, ora como ondas, ou — ainda mais árduo —, uma e
outra coisa de uma só vez... O Universo é feito de partículas e o nosso cérebro
também; o mundo pequeno não se sujeita às leis deterministas da física
clássica. Hoje a física é probabilística e, por via de consequência também o é
o conhecimento do conjunto das relações sociais. Estas, porém, em grau muito
mais elevado porque as relações sociais contêm em si as relações lógicas,
também as numéricas, as físicas, as biológicas e as de relacionamento humano —
que são as relações sociológicas de Religião, Moral, Artes, Direito, Política,
Economia e Ciência. Recordemo-nos: estes sete processos sociais de adaptação
são os mais fortemente determinantes do ser humano, a nos compendiarem a toda a
vida até agora conhecida. São "seres" densos a levarem consigo os mais
"delgados" (mais distantes da realidade humana plena, por isto decrescentemente
mais abstratos nesta ordem: lógica, matemática, física, biologia. Nada se nos
dá que não seja em forma de relação.
E todas as relações só nos são conhecidas em enorme relatividade.
Capítulo II — A relatividade
Nós próprios já escrevemos alhures o quanto a relatividade
geral dificulta a atividade do penoso labor. Note-se que tudo se move no
Universo e, pois, também os componentes neurais do cérebro de todos os animais.
Assim é que todo o cuidado se tem de empregar na localização de uma
"essência", na produção de um conceito, na formação de um raciocínio,
no encontro da sua adequada expressão linguística. Segundo a etimologia Moral e
Ética equivalem-se. Moral vem de mos-moris¸
costume ou hábito em latim. Ethos-ethou
(ἔθος-ἔθοuς) é hábito ou costume em grego. Não há diferença outra que a de
dizermos que Moral diz mais respeito ao interior do ser humano (interioridade
do instinto-inteligência (Homem), ao passo que a Ética diz respeito às relações
sociais da dignidade. Parece não haver o que impeça este uso a ser a posto pela
prática da linguagem. A moral de alguém pode ser pesquisada sobretudo com os
auspícios da psicanálise e da sociologia geral. Um sistema ético pode ser
estudado. É o mesmo que estudar um conjunto lógico de regras éticas. De modo
que não há idoneidade científica em falar-se que Moral é sistema de normas de
boa conduta, ao passo que a ética é um estudo metódico da Moral (a ciência da
Moral). Melhor empregarmos um e outro termo como acabamos de indicar acima. A
questão é de linguagem, este meio universal de comunicação iniciado com gestos
e, depois, com outros símbolos.[2] A
linguagem, falada ou escrita, realiza-se por símbolos articulados. Ela é cópia
de cópia porque quando nós pensamos, fazemos julgamento, cuja expressão é a
proposição. A proposição é uma cópia do raciocínio; esta só se mantém fora do
cérebro com a nossa “fabricação” de símbolos (=linguagem). Linguagem é cópia da
proposição, que é cópia do raciocínio pensado.[3] Entanto,
quanto mais rigorosamente exato for o símbolo linguístico da palavra
articulada, melhor para o conhecimento e para a transmissão dele. Há razão para
isto: “A palavra é o
símbolo da significação, mas erraria quem lhe desse papel arbitrário, "nominalístico”,
como que fabricado a priori. De modo
que preferimos o termo "moral" na indicação da formação ou deformação
do caráter dos indivíduos, e "ética" para as relações sociais
desencadeadas pela moral dos indivíduos.
Todo
estudioso que escreve, qualquer que seja o âmbito da sua ciência, há de cuidar
por não “filosofar” de maneira tal que um nomen
seja, sem mais cuidado, empregado por outro. Convém, pois, não se fazer alusão
à ética como se ela fora o conhecimento da Moral. Em tudo quanto se lê e
escreve temos de levar em conta a mobilidade geral dos "seres", como
nos tem ensina o princípio da relatividade, a começar da biologia humana.[4]
Desde
Protágoras se diz que o homem é a medida de todas as coisas, pagtwg
crhmatwg
mέtroh
ag0rwpoς.
Não temos certeza plena de haver a própria igualdade gnosiológica dos homens.
de modo que o fim mesmo das ciências vem a ser a convicção subjetiva, mais que a
certeza objetiva. Isto porque o que mais precisamente conhecemos é o que diretamente
captamos:
[...] conhecemos é o nosso aparelho
psicofisiológico de percepção do mundo, a relativa situação do seu alcance, a
sua aptidão de ver o exterior, as relações, e não o íntimo, a substância, o
absoluto das coisas.
As nossas ideias, verdade seja, pertencem a nossos processos
vitais, como no-lo assegura a biologia mesma. E relativo é o conhecimento
humano — inicia-se ele pela nossa experiência, a qual relativa é. As abstrações
deformam-nos e as ciências nos vão a pouco e pouco corrigindo; assim foram os
exemplos de Copérnico e de Einstein,
Desta maneira o pensamento se vai adaptando aos fatos do
mundo exterior (mais exterior). A adaptação é um modificar-se quase incessante
na complexa relação [...]
"organismo x meio", e não leva o
espírito à incontinência romântica do poder deformante, absoluto,
da inteligência, nem à
evolução criadora, que é mero arrojo do idealismo.
A nossa necessidade de continuar vivendo, exigência da
biologia, compele-nos a afirmar que existe o mundo material.
[...]
Negá-lo seria contradição de toda a
utilidade, de toda a função, de toda a solidez, aproveitabilidade e
significação do pensamento: negaríamos tudo e a nós mesmos.
Mediante a lógica
podemos [...]
classificar os casos individuais (indução,
dedução), isto é, com a relação de implicação, sem que a preocupem as outras
relações; por exemplo: a do espaço e a de tempo, ou a de espaço-tempo. Mas a
própria Lógica assenta no estudo de relações externas. Por mais que se
rarefaça o objeto (complexo de relações), não pode haver conhecimento que não
assente em relações, ainda que se abstraiam quase todas elas e ciências existam
que, como a Lógica, se contentem com uma só espécie.
[...]
a
necessidade de atender ao espírito científico, que não poderia desconhecer a
maravilhosa renovação dos nossos conhecimentos, agora dilatados, graças aos
cálculos dos cientistas da teoria da relatividade; [...] a construção do
próprio sistema de Ciência do Direito, que assenta em fundamentos
quantitativos, impessoais e livres; [...] a defesa da noção, presente em cada
parte desta obra, da relatividade do espaço e da necessidade de recorrermos a
espaços não-euclidianos e n-dimensionais.
Grande é a vantagem do espírito científico, com a unificação
das ciências, com a generalização continuadamente ajustadas aos fatos, às
realidades (o mais distante possível das implicações do ego.
Todas as
geometrias são possíveis, segundo a nossa comodidade.
Tais geometrias conservam o postulado de
EUCLIDES: por um ponto não pode passar senão uma paralela a qualquer dos eixos.
Nesse sentido, são euclidianas. Todas são possíveis, como é possível a que
inverte o postulado de EUCLIDES (LOBATCHEFSKIJ), a que admite infinidade de
retas por dois pontos (RIEMANN), etc. Todas são mais ou menos experimentais.
É possível ao
conhecimento humano passar
[...] da noção descritiva e imaginativa para a
noção quantitativa ou intelectual.
O mundo da física desenvolve-se, em torno e
dentro de nós, independente do que vemos; interpreta-se o real para o explicar
e muitas vezes se afirma que não é verdadeiro o que vemos, e sim mera
aparência. […] Há, pois, nas teorias da relatividade, a quantificação ou
matematização das ciências e ao mesmo tempo a adoção de critérios mais gerais.
Moral. Logo
se vê a importância das virtudes para errarmos menos em matéria de conhecimento
e nos tornarmos menos erráticos nas relações éticas. É bem o caso da humildade.
Não se tire o pé do chão. O humilde é em verdade um
forte, pessoa capaz de andar com os pés no chão (humus é chão), sem tentar buscar-se na imposição de si
sobre os outros. O humilde vai aprendendo a ser um servidor da sua gente, um
solidário com o seu Povo, o seu país, a sua Pátria.
Quem for, nas relações sociais,
[…] calcular sem solidariedade com o sistema, é mister atender à deformação.
Essa deformação é, a bem dizer, incessante, de modo que nos
veem aos magotes os erros cometidos por nós em matéria de conhecimento, a que
costuma seguir-se a comunicação deles repassada a terceiros. Atender a essa
fraqueza, reconhecê-la, confessá-la e corrigi-la é gesto próprio das pessoas
humildes, nobres e grandes, com vantagem para o avanço dos saberes, para
aumento da moral e da ética.
É tola a pessoa "convencida" que interiormente,
inconsciente ou subconsciente, se ufana em "botar sabença"... Prefere
não se dar conta do seu vício feio — o continuado modo ridículo de ter-se por
superior aos demais.
Donde se vê a importância prática da teoria do conhecimento.
Em verdade, "sabemos muito pouco, e de quase
nada". Mas, todos podemos progredir, abrindo-nos às conquistas da ciência num
mundo novo com mais a teoria da relatividade, o espaço pluridimensional, o
abandono dos absolutos etc. Só com o
correr do tempo, guiada pelos gênios, haverá a maioria dos estudiosos de
acompanhar o desenvolvimento do conhecimento científico tempos afora.
Se conseguíssemos extraordinário conhecimento
de tal mundo, de modo que outros passassem a interessar-nos mais profundamente,
nosso aparelho superior logo se acomodaria às novas geometrias. [...]
As teorias einsteinianas são expressões do
relativismo universal. A ciência humana, à proporção que se opulenta, descobre
relatividades e apaga noções de absoluto. [...] obscuras as noções, até então
vigentes e separadas, de espaço e tempo, de modo que somente subsistirá a
união delas, — são de feito admiráveis os novos recursos com que se enriquecem
a Física, a Astronomia, a Teoria do Conhecimento.
[...] O princípio de relatividade deve ser
mais geral ainda, — devemos procurar a diferença de tempo nas realizações
biológicas e sociais, — o tempo local das espécies e dos grupos humanos. Isto
nos poderá explicar muitos fenômenos que resistem às explicações atuais. Mas
para conseguir tais fórmulas, [...] muito terá que lutar o espírito humano
contra os preconceitos, que o rodeiam, e contra as obscuridades da matéria, que
irá estudar. Dos dois empecilhos, nenhum é maior que o outro.
[...] o Homem acabará por se familiarizar com
as quatro dimensões e considerar, não como as únicas possíveis, porém como espécimes
das possíveis, as concepções tradicionais de espaça e tempo.
Lógica e
desenvolvimento dos saberes. Temos hoje ideias mais precisas sobre o que depende
de nós e sobre o que depende das coisas estudadas. Tudo parece que se resolve
em linhas do mundo. Assim é, pois, que a relatividade é "dimensão" própria
da nossa Lógica. Não poderia ela escapar ao atual binômio "organismo x
meio". O nosso eu vem
efetivamente a ser ele e as suas circunstâncias. Parece que não há como a Lógica
escapar a tal situação. Quer isto dizer então que os resultados do pensamento
humano são tecidos por caminhos escabrosos; pululam contradições.
Algumas conclusões. Parece
também que a Lógica adequada, acertada, é a lógica que acompanhe as semelhanças
e dessemelhanças encontradiças nos objetos. Somos levados a admitir o que F. C.
Pontes de Miranda denomina lógica
material.. Donde a relevância dos esforços por descobrirmos as
características das coisas repetidamente observadas para, assim, formarmos
classificações cognitivamente confiáveis das categorias[5]. Os
resultados das ciências, e elas próprias, andam como que entrelaçados. A
divisão das ciências é didática, cômoda. Quando acertada, ou seja, adaptada aos fatos extramentais (=mais
extramentais), a cognição humana solidariza-se porque as suas "partes"
são igualmente partes do mesmo universo curvo de Einstein. O estudo da teoria
do conhecimento é da maior importância para se controlar o acerto, ou
desacerto, dos nossos pensamentos, por exemplo em sociologia geral ou nas
várias sociologias especiais — ciência do direito, ciência política, estudo
científico das religiões, sociologia da moral etc.
Aí está mais uma razão para não nos orgulharmos
infantilmente do nosso saber, algo assim como se atingíssemos a própria
"coisa em si".
As verdades humanas nunca poderiam ser o exato
da coisa em si, que seria o absoluto objetivo, impenetrável por nossos
sentidos e pelo espírito: […].
A fórmula algébrica é certa, porém não é o
real absoluto. E assim são as nossas verdades.
A imaginação. Frequentemente
nos valemos do paralelismo entre o físico e o psíquico. Há a necessidade dessa
tarefa para fixamos algo da realidade, sempre fugidia porque sempre em
movimento sutil. Temos, porém, de nos precaver contra os desvios da imaginação.
Quem se omite nessa cautela de humildade está muito próximo de desvios
cognitivos e perto das tolices do orgulho intelectual. Pode esperar-se o
discurso retórico a tomar as vezes da descrição cuidadosa dos fatos reais, com a
marginalização da lógica material (porque esta se atém aos fatos reais com a
sua estrutura própria e os seus meandros sutis). Corre o risco dos desacertos
em matéria de conhecimento se aferra à lógica clássica. Entretanto, quem não se
atém aos [...]
fenômenos observáveis que se sucedem no tempo;
para ela [para a ciência], os princípios lógicos são auxiliares e na
utilização deles poder-se-ia chegar a conclusões inaceitáveis.
No Direito brasileiro.
Com os só princípios da lógica clássica cometem-se muitas falhas de
conhecimento do Direito porque ela não se ocupa primordialmente com a realidade
extramental, de dados postos ( o mesmo que dados positivos). As discussões são quase intermináveis e a vaidade é
grande. Parecem mesmo estar em crise há muitos anos no Brasil o aprendizado e a
prática do Direito. A razão disto situa-se no fato de o Direito não ser
estudado como ciência, ao modo de todas as demais.
Não pode haver tranquilidade em espíritos que
recebem rudimentos científicos e vão lidar com tediosa disciplina, cujos
métodos destoam de toda a organização das ciências. [...] Que respeito poderia
merecer preocupação que consiste em procurar entender textos mais ou menos
arbitrariamente escritos e votados?
Nenhum.
E daí o duplo caráter da crise: gnosiológico e
moral. É preciso extrair da vida, do real, o Direito, que até agora tem sido
obra de arte da metafísica, para que, com a sua nova compleição, possa
eficazmente reagir sobre a vida.
[...]
Só nos parece absoluto o que não é conhecido
em sua significação relativa mais extensa. O absoluto de hoje é a relatividade
mais larga, que ainda não se sondou. Na Físico-química, na Biologia, na
Sociologia, na Economia, na Moral, no Direito, em todos os grupos ou sistemas
de fatos, ou em qualquer fato, encontra-se a mesma dependência, a mesma
subordinação do que é ao conjunto das coisas existentes. Entre os deveres que
tenho para comigo mesmo está o de evitar a minha morte, e, se me suicido,
violo tal dever.
[...] Todos
os valores absolutos são relatividades que ainda não se descobriram. [...] O absoluto é a última e a mais alta das
ficções: é o equivalente metafísico do infinito matemático [...].
Os altos objetivos do
estudioso[6].
Não se confunda o princípio feraz da relatividade com a descrença própria do
ceticismo. O estudioso confia no esforço de que o instinto-inteligência (Homem)
é capaz, tanto na luta pelo conhecimento científico como também no avanço da
moral e da ética — na ascensão possível do interior pessoal a nível mais alto e,
do mesmo modo, na dignidade do ser humano ao tratar com o Alter em todas as relações sociais. Em termos de conhecimento,
confiante, pode desejar, pode descobrir suas fraquezas e a pouco e pouco
corrigi-las.
A
intuição que dirige o ideal do sábio não é a de que terá a verdade, mas a de
que, com os seus ingentes esforços, pode, cada vez mais, aproximar-se dela.
Capítulo III — A incompletude ou "indecibilidade"
Há outros elementos a nos autorizarem dizer que, com certeza
plena, sabemos muito pouco; e de quase nada. A descoberta de Kurt Gödel ainda
não foi contestada. Se no raciocínio partirmos de proposições havidas a priori como indiscutíveis (axiomas)
então, se tais proposições não contiverem alguma contradição, não será possível
extrair delas demonstração segura de teses derivadas dela (teoremas). De outro
lado, não há como conseguir elementos para se dizer com segurança cognitiva se,
nos próprios axiomas existem ou não existem contradições; a certeza sobre isto é
impossível, não há como decidir. Seria necessária outra teoria mais abrangente,
mas, para provar esta, então tem que vir outra mais abrangente, e logo mais outra,
etc., e assim até ao infinito.
Dados sobre o teoria
de Gödel. Sobre o teorema de Gödel escreveu a estudiosa Maria Ângela Reis de Castro [7], que
o
Teorema da incompletude de Gödel, às vezes
também designado por teorema da indecidibilidade, é o nome atribuído a dois
teoremas demonstrados por Kurt Gödel:
Teorema 1: "Se o conjunto axiomático de
uma teoria é consistente, então nela existem teoremas que não podem ser
demonstrados (ou negados)" . Teorema 2: "Não existe procedimento
construtivo que demonstre que uma tal teoria seja consistente".
A primeira proposição indica que a
"completude" de uma teoria axiomática não pode ser alcançada; a
segunda diz que não há garantia de que não surjam eventuais inconsistências
(não afirma que elas existam — apenas não se pode decidir). A consistência só
poderia ser demonstrada a partir de uma teoria mais geral, a qual necessitaria
de outra ainda mais ampla e assim por diante, "ad infinitum".[8]
Insuficiência das lógicas.
Posto isto acima exposto, parece que não há solução lógica para se completar um pensamento iniciado. A lógica
é aí sem utilidade. É da sina mesma do pensamento dos seres humanos esta insuficiência:
o raciocínio humano é "essencialmente" limitado na sua própria
estrutura, de modo que pelos caminhos clássicos da ratio, ainda mesmo com o esforço hercúleo da razão e da lógica, lógica
clássica ou outra qualquer (Νους και Λογος), não se chega a lugar algum em matéria de certeza —
não se sabe o que escolher como "correto": nem como completo, nem
como não contraditório. Damo-nos por certos
em determinados assuntos porque a vida (o instinto, não a ratio) em tudo ou quase tudo nos exige alguma segurança.
A biologia se nos apresenta impositiva, compulsiva —
temos de viver, e a vida exige esforços para continuar sendo. Esta é uma verificação fática, com nada ou quase nada de
"filosófico". A questão importante nestes pontos (de certeza
cognitiva) parece ser a de tomarmos consciência sobre a origem dessa busca de
segurança: se ela provém da inteligência, ou se vem ditada pelos instintos —
como o sentido da dignidade própria e alheia, ou impulsos destrutivos como os
da vaidade, do orgulho, do egoísmo...
Quadra insistir — a questão não se resolve no âmbito isolado
da atividade intelectual, e sim das exigências da biologia humana com a sua
força vital [9].
Não é a razão humana o instrumento de decidibilidade na busca de certeza; é a energia não racional (não puramente
racional) provinda dos porões instintivos do modo de ser do homem como ser vivo[10].
Capítulo IV — A lógica paraconsistente
Depois de Freud a psicanálise recebeu diversas contribuições,
também com a interação com outras ciências; a linguística é uma delas. Com isso
aparecer a corrente estruturalista, notadamente com os trabalhos do linguista suíço,
Ferdinand Saussurre (1857-1913). Tomaram mais corpo os estudos sobre o estruturalismo
e sobre a semiótica, ou seja, a respeito
de linguística (língua e fala) com o estudo dos sinais de comunicação e a troca
de significados, tudo isto na própria alteridade dos símbolos transmitidos,
portanto nas relações sociais.
È dito com frequência que o inicialmente
pretendido pelo estruturalismo era
dominar qualquer língua à guisa de um sistema em que cada elemento só pode ser
definido pelas relações de equivalência ou de oposição mantido com os demais
elementos. Esse conjunto de relações forma a estrutura., conceito este que atingiu
o pensamento da filosofia, das ciências, computação e das artes.[11]
É, pois, a estrutura uma configuração de itens, ou uma coleção de componentes,
ou de serviços, todos relacionados uns com os outros. A estrutura tanto pode
ser uma hierarquia de relacionamentos ("vários são para um") como uma
rede deles em que "vários são para vários". Se a hipótese for a de
uma estrutura social, tem-se de entender a estrutura como um padrão de
relacionamentos: organizações sociais de indivíduos em várias situações da vida. Se não for do tipo "vários para vários", a
estrutura política será antidemocrática.
Uma estrutura de dados
mais altamente desenvolvida permite uma variedade de operações críticas instrumentalizadas
por uma linguagem de programação com os tipos de dados e referências e as operações que deles provêm.
Tal estrutura serve à informática, embora não somente a ela. E serve à teoria
do conhecimento.
Algumas consequências
para a lógica classica. Já por aí se deixa ver a complexificação de
elementos com que a idade contemporânea sobrecarregou a lógica antiga. Outras
teriam de surgir porque parece ser insopitável a necessidade humana de o nosso
pensamento se amoldar aos fatos exsurgentes na evolução dos tempos, em que
também os conhecimentos soem aumentar. O cérebro precisa de se adaptar ao modo
de ser das realidades, na procura de quididades, na premência de, para não
perecer, captar algo disto — "o que a coisa é". Se um instrumento já
não logra resultados satisfatórios — a lógica clássica, por exemplo, — outra lógica,
ou outras lógicas, têm de substituí-la para serem alcançados certos objetivos
de cognição; assim o exige a biologia mesma.
Tal parece ser o caso da lógica
paraconsistente.
Escreveu um autor:
A Lógica Paraconsistente inclui-se
entre as chamadas lógicas não-clássicas heterodoxas, por derrogar alguns dos
princípios basilares da Lógica clássica,
tais como o princípio da contradição: segundo a Lógica Paraconsistente,
uma sentença e a sua negação podem ser ambas verdadeiras. A Lógica
Paraconsistente apresenta alternativas a proposições, cuja conclusão pode ter
valores além de verdadeiro e falso, tais como indeterminado
e inconsistente.
A nossa opinião. Note-se:
uma teoria é consistente quando não contém contradição lógica; teorema é uma proposição que exige
demonstração. Talvez haja teoremas indemonstráveis e sem contradição lógica
porque a matemática nunca aparece como uma abstração pura. Um jeto ou quididade
da matemática é um jeto ou um aliquid
do mundo real. este jeto alude a algo específico, indica o concreto, aponta
para realidades de que indicam alguma medida. A realidade traz no seu bojo
muitas tensões — forças contra forças. São forças que se contrariam. O azul
escuro diversifica-se do azul claro; não coincide com ele. Se um se misturar
com o outro ambos se alteram, ou um deles perde para o seu diferente.
"Maior que" (>)
tem o contraste de "menor que" (<)
e do "igual a" (=). Amar
põe-se em contraposição com odiar; corromper não se ajusta com ética; gente de
mau caráter (imoral) não se dá com "pessoa de bem", pessoa de moral .
Em todo conflito, embate ou choque há sempre contrariedade, contradição, verso
e reverso, ambos tensivos. Uma parte diz ou quer A; a outra parte, dizendo ou
querendo, responde com não A. A
realidade do mundo é assim, e a lógica formal isolada não conta com elementos
para explicar o fenômeno da complexidade da vida humana
Insuficiência da
lógica em si mesma e do conhecimento científico em si mesmo. Em sendo
assim, como efetivamente assim é, os números isolados e o
conhecimento "solitário" não se prestam à solução de problemas
cognitivos do mundo real. O homem tem de valer-se de outros processos de viver
e conviver; tais processos são os processos sociais de adaptação: Religião,
Moral, Artes, Direito, Política, Economia e outros de menos peso para,
ordinariamente, alterar a convivência (linguagem, moda, boa educação, etiqueta
etc. etc.). Os processos sociais de adaptação definem em boa parte o
instinto-inteligência (Homem); o processo científico (ciência) é apenas mais um dentre esses processos
sociais de adaptação, de que sete são os principais. Mas, a ciência (que se
cautelosamente serve da lógica) tem a vantagem de definir com mais segurança as
situações da existência humana e do cosmos, o não vital e o vital —
"aquilo que a coisa é".
De mais, (1) a lógica formal é só um dos limitados
instrumentos cognitivos do Homem no
seu continuado contato com a Natureza, e (2) quando estamos conhecendo,
situados na quietude máxima da ciência, não dos desfazemos de todos os
resquícios dos outros processos sociais de adaptação. Eles atuam sempre mesmo o
que seu perpassar se aloje no inconsciente — o instinto-inteligência (Homem) é
sempre ele, assim como é, enquanto viver. Esta mesma questão pode ser aplicada
a uma doença social, como a corrupção.
A formação humana e a
impunidade. Já que aludimos à corrupção, cumpre dizer que ela terá de ser
solucionada, lentamente embora, mediante a cooperação de todos os meios
disponíveis. Podemos ir tornando possíveis na prática com as complexidades, todos
esses processos sociais de adaptação; falamos dos sete principais processos
sociais de adaptação (também há os outros, menos fortemente formadores ou
deformadores). Vivê-los é o mesmo que existir ou ser, mais plenamente.
No tocante à corrupção parece que se podem resumir os
expedientes antidepravadores em dois: (1) a educação continuada e a (2)
aplicação científica e destemida das leis penais. Na educação entram elementos
religiosos, éticos, políticos, econômicos, jurídicos, científicos. Na aplicação
das leis penais entra sobretudo o elemento jurídico, mas não só ele porque o
julgador precisa de conhecimento, de coragem e realidade ou humildade.
Cumpre-lhe igualmente ter consciência de o ser humano se bestifica se lhe
falarem continuadamente democracia, liberdade, e o indispensável para a vida
cotidiana, como roupas, alimentos, moradia, educação, lazer, meios para
expansão da personalidade etc. Nem se há de pensar, por outro lado, que tudo
seja fácil. Há as tensões, os ataques, as defesas, a luta. Pouco há de "racionalidade"
ou lógica nesses espaços da natureza real. Haverão de encontrar-se, também
nestes procedimentos, irracionalidades, ilogismos, contradições,
inconsistências. A lógica clássica não nos leva tão longe em matéria de
cognição e na análise destas questões.
A formação intelectual da maioria das brasileiras e dos
brasileiros funda-se, todavia, na velha lógica aristotélica ou lógica clássica,
cujos princípios mais importantes são os da identidade ("A é A, e não B nem
b etc."), o princípio da não contradição ("três e, ao mesmo tempo,
não três quanto à mesma coisa") e o do terceiro excluído ("esta
pessoa ou é estudante ou não é um estudante"). Depois foram surgindo novas
lógicas, como vimos: a
lógica filosófica, a lógica de predicados, a lógica de vários valores, a lógica
matemática e muitas outras mais.[12]
Uma
destas novas lógicas começou no Brasil — a lógica paraconsistente ou "lógica
da quase-verdade". A lógica paraconsistente foi desenvolvida a
partir de 1963 pelo brasileiro nascido em 1929 (Curitiba), Newton Carneiro
Affonso da Costa.[13]
Ele era, até 1997, o único brasileiro pertencente ao Instituto Internacional de
Filósofos, de Paris. Formou escola sobre a lógica paraconsistente, com membros
no Brasil e no Exterior. Essa lógica é hoje largamente estudada, mormente na
Rússia.
Esta lógica admite “contradições”, dizem os especialistas; é
no sentido de admitir várias verdades simultâneas. Porque a formalização de
sentenças ou proposições depende da função lógica escolhida, já que elas podem
conviver.
Estas afirmações e negações têm relevo, até relevo prático
para quem se dedica à filosofia, ao direito, à educação, ao ensino, às
aplicações tecnológicas.
A nossa apoucada
capacidade cognitiva. Quer nos parecer que é, em parte, por causa da
diminuta capacidade do Homem de esgotar a contextura da Natureza, sempre a
mover-se (e os nossos neurônios também a moverem-se nela). Muito há de de
valer-se de aproximações, que biologicamente lhe bastam para continuar a viver
e evoluir um pouco (e também regredir...). Por mais que nos aproximemos da
ciência, empregando o método indutivo-experimental — e grande vantagem há nessa
conquista —, em realidade temos noções ainda um tanto vagas das coisas. Parece
um "como se": como se elas
fossem mesmo assim, ao modo de Vahinger na sua "Philosophie des Als Ob" [14].
É de notar-se que toda e qualquer abstração que não puder ter alguma
correspondência fora do eu pensante, corre o perigo de ser quase só imaginosa: não está no mundo extramental, nada mais é que produto biológico saído da
imaginação. Não traz conquista cognitiva, embora possa ter sentido estético
(como nas abstrações metafísicas de ordem medieval); talvez embeveça, mas não
ensina realidades, ou seja, aquilo
"aquilo que a coisa é" no universo extramental.
As limitações do
conhecimento humano. Quadra também pensar que é extremamente limitado o
nosso campo de cognição tanto na sua extensão como na sua profundidade; sabemos muito pouco de quase nada,
dentro e fora de nós. Este não saber é assim desde a própria colheita de jetos [15](ou quididades,
ou "essências") e na formação dos nossos conceitos, e na junção deles
em proposições, e no emprego de linguagem, a mais correspondente possível a
todas estas operações anteriores. Vivemos em meio a relações, desde as mais
simples (lógica matemática, lógica formal, lógica aristotélica) até as
crescentemente mais complexas, a saber, as relações da matemática, da física,
da biologia, das relações sociológicas nas sete classes mais determinantes do
pensar e do obrar humano — Religião, Moral, Artes, Direito, Política, Economia
e Ciência (há outras, embora com menor potencial de atuação existencial no
homem: linguagem, moda, gentileza, boas maneiras). Estes processos sociais de
adaptação entrelaçam-se na vida, sem que seja necessariamente por escolha do
homem. A nossa liberdade é limitada Esta é uma complexidade extrassubjetiva da
realidade mundanal. Um ato de devoção religiosa na realidade fática não
contradiz a consequência, dele advinda, ou seja, o homem pio ser duro com o
praticante de injustiça (religião e moral). A fome pelo saber, encontradiça no
homem de ciência, pode conviver com senso prático de ele comerciar
proveitosamente o produto das suas pesquisas (ciência e economia). Um bom
músico quiçá tenha vocação política (sensibilidade estética mais vontade de
poder).
Quer isto dizer, pois, — pensamos nós — que não pode ser puramente
formal a lógica de vivência no mundo. Faltam-lhe elementos bastantes para ser inçada
de complexidades, coisa porém, que o mundo real é. A lógica organiza o material
recebido, não o pesquisa. Nem toda contradição formal é um erro lógico. A
lógica a ser admitida, caso por caso, é a correspondente ao arranjo ou
desarranjo das coisas tal como as encontramos fora da criação humana.
Eis o que temos de denominar lógica material — a que venha corresponder, no entrelaçamento de
ideias, à realidade exterior aos "eus" complexos à complexidade do
mundo real.
Por outras palavras, a lógica clássica não é instrumento
adequado, suficiente, para a mente humana lidar com a descoberta das realidades
(sempre maiores que o homem). O que se nos apresenta ao saber é mais denso que
o nosso pensamento. Simplificando: Homem <
Saber (segundo fórmula de intelectual brasileiro do século XX — Francisco
Cavalcanti Pontes de Miranda). Fundamental teorica e praticamente para o saber,
isto sim, é organizarmos o pensamento ao
modo como as realidades extramentais estão marcadas, seja ao nosso jeito,
seja contra o nosso jeito. Agradando-nos ou não — é a árdua lógica material,
dessemelhante da cômoda lógica formal
Há, pois, segundo N.
da Costa é uma verdade pragmática:
serve ao homem como ele a constrói, sem podermos dizer que abrangeu toda a
realidade examinada. Daí considerar M. Paty que essa teoria de N. Costa é a
própria filosofia da tolerância no
sentido de as verdades serem provisórias.
É também uma filosofia
da inquietação: os conhecimentos científicos são construídos por nós. Esta
circunstância confere flexibilidade aos sistemas de conhecimento (ex.:
computador com mais recursos que o sim e o não, com anotações complementares). A
lógica paraconsistente traz-nos alternativas às proposições: além de uma conclusão
poder ser verdadeira ou falsa,
surgem mais estas possibilidades: o resultado do raciocínio pode ser indeterminado
ou inconsistente. A rigor, pois, a dúvida sobre a verdade definitiva persiste. Um exemplo didático é: "o homem é
cego, mas vê". Esta oração não nos traz a determinação a respeito do que
esse cego vê. Tal como soa isolada, esta proposição é logicamente incompleta,
sem sentido para ser entendida com segurança cognitiva.
Uma exposição
acadêmica sobre lógica paraconsistente. Nosso escrito posto a seguir é
resumo de trabalho técnico do doutor Décio Krause, professor do Departamento de
Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina. Pertence ele ao "Grupo
Multidisciplinar de Estudos em Lógica e Fundamentos da Ciência-UFSC/CNPq"[16].
Por nossa conta inserimos a respiga dos trechos que nos pareceram mais
diretamente reveladores do conceito nuclear de "lógica
paraconsistente". Eia, pois.
[...] Lógicas admitindo inconsistências
(lógicas paraconsistentes, lógica discussiva etc.), agregando uma variedade
maior de sistemas. [...] matemáticos como George Boole (1815-1864),
Gottlob Frege (1848-1925) e Giuseppe Peano (1858-1932) deram
contribuições significativas para a criação da [...] lógica matemática. [...] a
lógica tornou-se uma disciplina com características matemáticas, [...] Entre os princípios básicos da lógica
hoje dita ‘clássica’, de tradição aristotélica, figura o princípio da
contradição, ou da não-contradição [...]. Em resumo, em um tal sistema,
prova-se tudo. Um sistema deste tipo é dito ser trivial.
Se A e se ¬A (a negação de A)
forem ambos teoremas de um sistema dedutivo S fundamentado na lógica
clássica, então toda fórmula B da linguagem de S é teorema de S.
[...] S.
Jaśkowski [...] apresentou em 1948 uma lógica que poderia ser aplicada a
sistemas envolvendo contradições, mas sem ser trivial. O sistema [...]
conhecido como lógica discussiva, ou discursiva, limitou-se a [...]
cálculo proposicional, [...] Newton C. A. da Costa [...] iniciou a [...] desenvolver sistemas lógicos
que pudessem envolver contradições, motivado por questões de natureza tanto
filosóficas quanto matemáticas. [...]
muito além do nível proposicional. [...] reconhecido internacionalmente
como o criador das lógicas paraconsistentes [...] o termo
'paraconsistente',[...] literalmente
significa "ao lado da consistência", [...] cunhado pelo filósofo
peruano Francisco Miró Quesada em 1976, [...]
[...] uma lógica é paraconsistente se pode
fundamentar sistemas dedutivos inconsistentes (ou seja, que admitam teses
contraditórias, e em particular uma contradição) mas que não sejam triviais, no
sentido de que nem todas as fórmulas (expressões bem formadas de sua linguagem)
sejam teoremas do sistema. [...]
Em um sistema dedutivo S baseado
em uma lógica paraconsistente, pode haver dois teoremas da forma
A e ¬A, sem que com isso toda fórmula da
linguagem de S seja derivada como teorema do sistema.
[...] Para da Costa, a lógica clássica, [...]
‘mãe de todas as lógicas’, tem valor eterno em seu particular campo de
aplicação, [...] não assevera que as lógicas paraconsistentes devam ser as
únicas verdadeiras, usando-as no entanto quando se mostrarem convenientes para
se alcançar um melhor entendimento ou tratamento de certos fenômenos ou áreas do
saber. [...] Por exemplo, as lógicas
paraconsistentes prestaram-se [...] uma visão mais clara do significado da
negação [...] Com elas, podemos entender melhor a possibilidade de se
sistematizar de modo rigoroso teorias envolvendo a noção de complementaridade
(proposições complementares são aquelas que, se tomadas em conjunto, acarretam
uma contradição) [...], bem como para sistematizar sistemas envolvendo
vagueza e mesmo contradições estrito senso. [...] As aplicações da lógica
paraconsistente não se limitam a aspectos teóricos ou filosóficos. [...],
podem-se imaginar situações em que um paciente pode 'entrevistar-se' com um
computador e, mediante perguntas e respostas, o computador pode chegar a
diagnosticar e até mesmo medicar o paciente [...]na elaboração de tais sistemas
[...], os cientistas em geral entrevistam vários especialistas (médicos). [...]
os médicos podem ter opiniões divergentes (e mesmo contraditórias) sobre
um certo assunto ou sobre a causa de um certo mal. [...] se no banco de dados há duas
informações que se contradigam, refletindo opiniões contraditórias de
dois especialistas, se o sistema operar com a lógica clássica, pode ocorrer a
dedução de uma contradição, o que inviabiliza (tornando trivial) o sistema como
um todo. Para se poderem considerar bancos de dados amplos, [...] informações contraditórias e sem que se
corra o risco de trivialização, a lógica
[...] deve ser uma lógica paraconsistente. *[trivialização=de
duas proposições contraditórias pode ser deduzida qualquer afirmação]*
[...] a lógica é, hoje, uma disciplina de mesma
natureza que a matemática. [...] Para
tanto, basta recordar os teoremas de incompletude de Gödel, [...] valendo-nos
desta analogia, podemos olhar a lógica da mesma forma como usualmente se faz
com a matemática, dividindo-a [...] em lógica pura e em lógica aplicada.
A lógica pura pode ser desenvolvida in
abstrato, independentemente de qualquer aplicação. Assim, estudam-se certos
tipos de estruturas abstratas, tais como as linguagens formais [...] A lógica aplicada [...] tem um duplo sentido: primeiro, pode-se
aplicar um determinado sistema lógico a uma certa área do saber, visando
certos propósitos. [...] Um
segundo sentido seria o do desenvolvimento de algum sistema lógico para dar
conta de alguma situação para a qual a lógica clássica, ou os sistemas
conhecidos, apresentariam limitações
[...]. A lógica clássica constitui um campo fantástico de estudo,
permanecendo válida em seu particular domínio de aplicações, não precisando,
pelo menos por enquanto, ser substituída por qualquer outro sistema.
Em síntese, não há uma lógica
verdadeira. Distintos sistemas lógicos podem ser úteis na abordagem de
diferentes aspectos dos vários campos do conhecimento. [...] uma forma de pluralismo lógico,
no qual vários sistemas [...] podem conviver, cada um se prestando ao
esclarecimento ou fundamentação de uma determinada [...] área do saber sem que
isso nos apresente qualquer problema; [...] a metalógica que rege tudo
isso é paraconsistente.
Ponderação nossa. Talvez
com a lógica clássica seja por ora impossível uma visão holística sobre as
ocorrências da Natureza, sem aí encontrarmos conflitos, contradições,
contrariedades, linhas inesperadamente tortuosas. Não nos é dada uma resposta
universal sobre um mesmo determinado problema como se não pudesse haver
exceções à regração lógica própria do seu campo. Exemplo: o que é melhor para uma vida mais plena em
determinado sistema ético? Qual a melhor solução jurídica para o caso concreto
em que tantos valores surgem, uns contrapostos a outros — qual o quantum da pena a impor, num crime
hediondo e num crime de corrupção enquanto não classificado como crime
hediondo? Etc. etc.
Conclusão parcial. O
que se pode concluir por ora — vão surgir situações nas quais algumas questões
não se podem resolver pela inteligência e sim pelo instinto
"cognitivo", isto é, pela aparente
arbitrariedade da intuição, ou seja, sem certeza de acerto segundo os critérios
correntios da ciência. A intuição vem a ser uma experiência provocada no momento em que surge a resposta
espontânea a alguma indagação obscuramente surgida na mente. Mais tem, pois, de
instinto que de inteligência e, ao que parece, "instinto-inteligência"=Homem.
Como a dignidade (campo da Moral) é, no estágio atual da
cultura, o melhor critério para se definirr com segurança social o que seja uma
conduta boa, aprovada, e outra ruim, reprovável, parece relevante que o
estudioso das questões morais e jurídicas (como as de improbidade ou corrupção),
parece relevante, repetimos, que cultive em si a importância social desse bom
hábito — o da dignidade. O julgador há de ser, em si próprio, um exemplo de
moral e, pois, de ética. Resta ao homem de responsabilidade diminuir o âmbito
do arco das condutas socialmente destrutivas educando-se incessantemente no
ideal de bem social e colaborando continuadamente com as autoridades na
preservação da Moral (costumes privados) e públicos (Ética).
Consistência limitada
da lógica clássica. Quando não nos é dado perceber o sentido geral da vida relativamente
a A e a B dentro de um círculo social, dentro da sociedade, diante de certa
situação etc., aí a razão é ambígua e indecisa. A intuição pode variar de um
momento para outro porque num determinado ponto do sentir-pensar humano as
funções cerebrais variam, e o homem não as escolhe com acuidade e distinção. Nossos
"enfoques" e tendências são necessariamente múltiplos. Também são
práticos porque por certo tempo servem à preservação de uma vida suportável, tolerável.
Daí ser multidedutiva a nossa inteligência, ou seja, a velha
lógica, posto seja útil ao nosso dia-a-dia,
não passa de aproximativa, imperfeita, pouco sólida, de consistência
limitada — numa palavra ela é, para a construção científica, paraconsistente. A Ciência tem que ser
tolerante (“filosofia da tolerância”).
Quanto mais complexo é o campo examinado, mais contradições podem surgir nas proposições
deduzidas, na busca de ordem do pensamento, isto é, na Lógica.
O mundo clássico ou tradicional do dia-a-dia. Temos de conservar
a tradição clássica. Serve-nos sim para a grande maioria das atividades da vida
prática, mas podemos corrigi-las, precisá-las, torná-las mais exatas. A lógica clássica
abriga, no fundo, um conjunto inexorável de contradições, que o formalismo
esconde e nós como que preferimos comodamente esquecer, por medo do novum. Notemos que "verdade"
tem várias acepções como a de correspondência (Tarski) — o autor considera esta
como ideal a buscar. É também pragmática (Pierce e James) com algo de coerência
(Neurath). A pragmática trabalha igualmente com hipóteses, já que não serve
tampouco para esgotar o real. Talvez seja daqui que o autor da
para-consistência retirou o conceito de quase-verdade.
Mudanças determinadas
pela ciência. Experimentando e testando estas ideias, alguns conceitos
sofreram muita modificação a partir do século XX. O conhecimento, por exemplo,
passou a ser recebido como uma "crença verdadeira” no sentido de estar hic et nunc justificado, satisfatório, a
proposição traduz aqui e agora o dito conhecimento em símbolos linguísticos.
Seria uma loucura pensar diferentemente (por enquanto, todavia...). De outro
lado, porém, temos de romper com uma nova modalidade de realismo ingênuo e de
orgulho intelectual. (a) A aparência
engana também na formação de jetos, conceitos, juízos. (b) Sabemos bem pouco, e de pouca coisa, do universo real. Nem por
isso se nos impõe uma concepção existencial de desespero. Os progressos da
ciência são, bem ao contrário, um incentivo para o pensamento, para a pesquisa.
Esta convicção vem alicerçada também por princípios éticos e religiosos, como
este: "vale a pena o nosso esforço para melhorar a vida das pessoas
etc.".
Mais alguns temas.
Nas conclusões de pesquisa ou mesmo de meros raciocínios todo pensador há de
levar em conta quão modestas deve considerar as suas aquisições. Cumpre evitar,
pois, a tola vaidade de achar que está com a definitiva "verdade" e
que as contrariedades nem se devem levar em conta. Tal comumente ocorre em
decisões, sentenças ou acórdãos — mundo jurídico. Nos meios universitários
igualmente, é intensa a vaidade. Também é muito frequente em discussão
política, notadamente quando um dos contendores tem tendência de "direita"
e o outro se inclina para a "esquerda". Nem é raro o mesmo fenômeno
em assuntos religiosos: crença islâmica contra religiosidade cristã,
conservadores versus progressistas,
espíritas e não espíritas etc.
Ou seja, o apego aferrado às próprias ideias é uma atitude
sem fundamento. A humildade intelectual é que parece estar mais bem fundada.
Quando estuam as paixões em qualquer matéria, o cuidado haverá de ser também
objeto de muito esforço. As discordâncias aí, até em pessoas de alguma idade,
por vezes destroem amizades antigas.
Transcrevemos a seguir partes de um escrito recente de um
físico brasileiro.[17] Ei-las
logo a seguir.
[...] Einstein dizia que nossas teorias são
"ficções", [...] podem existir duas ou mais explicações equivalentes
sobre o mesmo fenômeno. "O caráter fictício das [teorias científicas] fica
óbvio quando vemos que duas diferentes, cada qual com as suas conseqüências,
concordam em grande parte com a experiência"[...].
O físico americano Richard Feynman [...]:
"como nada pode ser expresso precisamente, toda lei científica, todo
princípio cientifico, toda asserção sobre os resultados de uma observação é uma
espécie de sumário que deixa de lado os detalhes". Ou seja, nossas teorias
são apenas aproximações da realidade. Os filósofos Karl Popper e Thomas Kuhn
vão ainda mais longe [...]. Popper escreveu que teorias científicas "não
são um resumo de observações, mas invenções-conjecturas propostas para serem
julgadas e, se discordarem das observações, eliminadas".
Entrando no debate, o que podemos dizer sobre
as leis da natureza? Não há dúvida de que observamos padrões regulares na
natureza, do micro ao macro. Alguns desses padrões podem ser expressos
matematicamente. Porém, quando físicos afirmam, por exemplo, que "a
energia é conservada", sabem que essa lei só é estritamente válida dentro
da precisão de suas medidas. E mesmo que a precisão de nossos instrumentos e
medidas melhore [...], sempre haverá um limite. Conseqüentemente, jamais
podemos afirmar que a "energia é conservada" em termos absolutos.
[...] na prática não existem asserções
de caráter absoluto, nem mesmo no contexto das ciências físicas. Construímos
modelos que descrevem a realidade, que medimos da melhor maneira possível.
[...] vemos o mundo sempre fora de foco. Os
óculos que inventamos melhoram a qualidade da imagem, mas sempre existirão
detalhes que escaparão ao nosso olhar. O mundo é o que vemos dele[18].
O nosso cérebro. Merece
mais e mais estudos o funcionamento do nosso cérebro como, por exemplo, quando
alguém está a estudar matemática ou em arroubo místico, ou a planejar atos de
corrupção, buscando em todos estes casos as situações nas quais o ser examinado
não tenha consciência de estar sob observação.
Mesmo sendo as coisas assim como parecem ser, o ceticismo
não tem lugar como escola filosófica: o senso comum mora na lógica clássica, e
precisamos dele para viver porque sem um mínimo de bom senso sobreviria a
loucura, um desequilíbrio, uma doença. A própria vida se vale da ciência,
confiante a Humanidade em muitas das suas conclusões por largos anos, retirando
dela proveitos construtivos para uma existência melhor ("primum vivere, deinde philosofari").
Conclusões. Nem
toda contradição formal encerra necessariamente um erro de pensamento. Parece
estarmos ainda distantes de poder esgotar os seres — a natureza do que é. Nos
processos sociais de adaptação, em todos eles, podemos incidir em ilusões.
Embora o processo adaptativo pela ciência positiva pareça ser o menos infenso a
essa invasão de devaneios, não é de todo livre porque o Homem é um compositum. Se correta esta nossa última
proposição, muito cuidado se há de ter nas três etapas do método
indutivo-experimental: observação (empiria), generalização (armação de
proposição de conteúdo mais vasto), experimentação — realizar testes de volta à
realidade fática (empiria). Outra cautela relevante parece ser a atenção que se
há de dar a diferença entre os dados extramentais (ou mais extramentais) e as
nossas construções eidéticas, erguidas pelo sujeito pensante (donné et construit, natureza e cultura). Ocorre
muita vez que pensamos estar atuando com a razão, mas é alguma paixão que nos
está a dominar inconscientemente — parece que somos isto — "instinto-inteligência=Homem".
Em se tratando do conhecimento científico, podemos sim obter proposições
verdadeiras, não porém, "a verdade". As proposições têm de ser
consideradas verdadeiras até que se demonstre o contrário. O contrário pode
surpreender. Para se errar menos, quanto maior for o cuidado com a precisão, a
exatidão, o rigor, tanto melhor. Daí o apreço devido aos métodos das chamadas
ciências exatas (=mais exatas...) e com a terminologia mais rigorosa. Parece
que o método melhor para se descobrirem realidades, pensá-las e expressá-las, é
o método indutivo-experimental.
* * * * *
Bibliografia e referências
ARRUDA A. Y. N. A. Vasiliev e a lógica
paraconsistente, Unicamp, Coleção CLE ,7, Campinas, 1990.
CONIDI Rosanna Bertini; CONCI, Domenico Antonino, DA COSTA,
Newton C. A. Mostri divini — fenomenologia e logica della metamorfosi. Napoli:
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COSTA, Newton C. A. da
Introdução aos fundamentos da matemática. São Paulo: Hucitec, 1974.
______, Newton C. A. da. Sistemas formais inconsistentes,
Curitiba, Editora da UFPR, 1994.
______, Newton C. A. da. Logiques classiques et non classiques. Paris: Masson, 1997.
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GLEISER, Marcelo.
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LOPES, Reinaldo José /
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______, Francisco Cavalcanti. O problema fundamental do conhecimento. 2ª ed. Rio de Janeiro: Borsoi, 1972.
UeBERWEG, Friedrich. Grundriss der Geschichte der
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*
http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause/pg/cursos/lparac.htmB
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[acesso em 2/5/2007].
http://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_da_incerteza_de_Heisenberg
-+-+-+-+-+-+
[2]
Ver>> http://www.ambientebrasil.com.br/noticias/index.php3?action=ler&id=30888;
[acesso em 2/5/2007]. LOPES, Reinaldo José / Portal G1— Linguagem começou com
gestos, sugere estudo com macacos.
[3]
Ver a esse respeito Pontes de Miranda, Sistema
de ciência positiva do direito, tomo II, p. 89-90.
[4] Doravante as nossa ideias foram estudadas em Pontes
de Miranda, Francisco Cavalcanti, Sistema
de ciência positiva do direito, 2ª ed. 4 tomos. Rio de Janeiro: Borsoi,
1972; tomo I, Introdução à ciência do direito, p. 37-73.
[5] Κατηγοριαι, no
sentido aristotélico e assemelhado: é conjunto de relações tais que se podem
colocar, sem confusões de pensamentos,
nos mesmos grupos de ideias. Ver
>>
http://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria_(filosofia)
[outubro de 2001].
[6]
Pontes de Miranda, enorme gênio brasileiro fala em "IDEAL DO SÁBIO" (op. cit. p. 73);
[7] http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:CZqpRDcOk3gJ:br.answers.yahoo.com/question/index%3Fqid%3D20070221103836AAU6jau+%22nome+atribu%C3%ADdo+a+dois+teoremas+demonstrados+por+Kurt%22&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br
[8]
De outra fonte temos o trecho seguinte,
que aqui transcrevemos. " Gödel's incompleteness theorems are
two theorems ofmathematical
logic that
establish inherent limitations of all but the most trivial axiomatic systems capable of doing arithmetic. The theorems, proven by Kurt Gödel in 1931, are important both in mathematical
logic and in the philosophy of mathematics. The two results are widely interpreted as showing that Hilbert's
program to
find a complete and consistent set of axioms for all of mathematics is impossible, thus giving a negative answer
to Hilbert's second problem.
The first incompleteness theorem states that no consistent
system of axioms whose theorems can be listed by an "effective
procedure" (essentially, a computer program) is capable of proving all
truths about the relations of the natural numbers (arithmetic). For any
such system, there will always be statements about the natural numbers that are
true, but that are unprovable within the system. The second incompleteness
theorem, a corollary of
the first, shows that such a system cannot demonstrate its own consistency".
>>>>:
http://en.wikipedia.org/wiki/G%C3%B6del%27s_incompleteness_theorems#Background
Também esta descrição histórica: >>
http://www.cosmicfingerprints.com/blog/incompleteness/
[9]
Alguns dados sobre o "vitalismo" encontram-se em http://de.wikipedia.org/wiki/Vitalismus.
Em Pontes de Miranda, "Sistema de ciência positiva do direito", tomo
III, p. 19 e seguintes: ele é falso quando tenta negar o determinismo das leis
da natureza.
[10]
Cabe recordar o velho dito já popularizado: "primum vivere, deinde philosophari" (Cervantes? Hobbes?).
[11] >> >>>
[12]
Pontes de Miranda distingue duas classes importantes: a lógica formal e a lógica
material. Esta segunda é, em suma, a que resulta da formação conceitos de
acordo com a estrutura particular de cada ser.
[13]
Ver COSTA, Newton C. A. da. O
conhecimento científico. São Paulo: Discurso Editorial-FAPESP, 1997; N. C.
A. da Costa , Ensaio sobre os fundamentos da lógica, São Paulo, Hucitec,
2a. ed., 1994; ____ O conhecimento científico, São Paulo, Discurso
Editorial, 1997 e Sistemas formais inconsistentes,
Curitiba, Editora da UFPR, 1994.
Outras obras a esse respeito: Sistemas formais inconsistentes. Universidade Federal do Paraná,
1994; Lógica indutiva e probabilidade.
São Paulo:Hucitec-Edusp, 1993; Ensaio
sobre os fundamentos da lógica. São Paulo: Hucitec, 1980; Introdução aos fundamentos da matemática.
São Paulo: Hucitec, 1974; Logiques
classiques et non classiques.
Paris: Masson, 1997; Rosanna Bertini Conidi, Domenico Antonino Conci, Newton
C.A. Da Costa. Mostri divini — fenomenologia e logica della metamorfosi.
Napoli: Guida. 1991; A.
Y. Arruda, N. A. Vasiliev e a lógica paraconsistente,
Unicamp, Coleção CLE ,7, Campinas, 1990;
[14]
Sobre a filosofia do Als Ob e
as suas aplicações, da matemática às ciências sociais, ver UEBERWEG, Friedrich. Grundriss der
Geschichte der Philosophie (tomo IV) Graz: Akademische Druck- u. Verlaganstalt (13. Auflage), 1951, p. 410-416.
[15]
Alongados estudos sobre o jeto (noção original, brasileira), vejam-se em PONTES DE MIRANDA,
Francisco Cavalcanti. O problema
fundamental do conhecimento. 2ª
ed. Rio de Janeiro: Borsoi, 1972. Está exposta e repetida esta noção desde o
Capítulo III da Parte 2 da obra; difere do objeto e do sujeito (sub-jeto); há que levarem-se em conta ainda
o -jeto e o jeto sem o hífen.
[17] Está em MARCELO GLEISER (professor de física teórica no Dartmouth College,
em Hanover (EUA) e autor do livro "Criação Imperfeita"), sob o título
A
natureza das leis. Folha
de São Paulo, 16 de maio de 2010, Caderno Ciência.
[18]
Aqui vão algumas referências bibliográficas sobre este tema: COSTA, Newton C.
A. da. O conhecimento científico.
São Paulo: Discurso Editorial-FAPESP, 1997. ____, Ensaio sobre os fundamentos da
lógica, São Paulo, Hucitec, 2a. ed., 1997. ____, Introdução
aos fundamentos da matemática. São Paulo, HUCITEC,
1992. ____, Lógica indutiva e
probabilidade. São
Paulo:Hucitec-Edusp, 1993; ____, Logiques
classiques et non classiques. Paris:
Masson, 1997. ____, O conhecimento científico, São
Paulo, Discurso Editorial, 1997. ____, Sistemas formais inconsistentes,
Curitiba, Editora da UFPR, 1994. CONIDI Rosanna Bertini; CONCI, Domenico
Antonino, DA COSTA, Newton C. A. Mostri
divini — fenomenologia e
logica della metamorfosi. Napoli: Guida. 1991; A. Y. Arruda, N. A. Vasiliev e a lógica paraconsistente, Unicamp, Coleção CLE
,7, Campinas, 1990; http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%B3gica_Paraconsistente;
http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause/pg/cursos/lparac.htm
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