terça-feira, 8 de setembro de 2020

"De Garça Branca a Flamingo Rosa": Da poeta Inês Rosa Bueno Garça ouve vê garça atenta graça no destino pés n´águas mornas gramíneas tropicais estica pescoço encolhe gira pescoço escolhe perspectivas bico erguido fino utensílio retidão em branco vestida cabelos soltos na maresia sutil pescadora das lagoas silencioso acolhimento no bico apertado come, tesoura. No alto dos Andes, Chungará-Tambo Quemado o vento cortante captura lágrimas gélidas vasculha cachecóis, ponchos, chales, polleras, casacos, gorros e botas. O horizonte roseia... o tempo passa a lagoa muda ouve dos voos assobios longos testemunha dos tempos enquanto a fila não anda. Flamingo de Fronteira Se a garça branca ciscava em águas mornas Ele veste-se de pôr do sol E nele se perfila Enfiando patas descalças n´água frígida, Gramíneas hostis, singulares, desconfiam rígidas vigiam passos, passagens, regressos, egressos. Escrutinam ingressos índios, sombreros, bolívias, o território é chileno a passagem pro mar reconfiscada por Espanha, a Ibérica, é Imperial. Divisa de papéis, documentos, carimbos uniformes sobreviventes de corpo e mente lembram o terror prepotente onipotente. Raciocínio lógico ordenando as partes, os lados, as metades, as medidas calando, revistando, fechando, lacrando, proibindo suave vulcão nevado derrete em erupção entre apitos agudos detendo caminhos, objetando veículos colocando obstáculos. Jamais reverenciam a garça delicada a dobrar joelhos a graça transpondo limites em trêmulo movimento stop-move à caça à pesca à alma alerta liberta.

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