Amigas e amigos, bom dia!
Dias atrás mandei-lhe e-mail sobre a
necessidade natural de haver mais igualdade no Brasil. Muita coisa está fundado
no sábio e gênio brasileiro: Francisco Cavalcanti de Miranda.
Ora bem, revendo
hoje a obra dele Introdução à sociologia
geral. 2ª ed. Rio de Janeiro:
Forense, 1980, vim a encontrar nela um “anexo” sem numeração gráfica, mas que se
percebe corresponder à página 193. Em assim sendo, aí lhes vai ela (trata-se de
um brevíssimo resumo dos PRINCÍPIOS e dos PROCESSOS SOCIAIS DE
ADAPTAÇÃO — no original lê-se ESQUEMA N. 3,
ao modo seguinte:
ESQUEMA N. 3
CONTRIBUIÇÕES
FUNDAMENTAIS DAS CIÊNCIAS À SOCIOLOGIA
I
PRINCÍPIOS DE
SOCIOESPACIOLOGIA OU GEOMETRIA GERAL
1. Princípio da fisicalização das geometrias: são os fatos que devem
decidir da geometria, isto é, dos axiomas que nos possam servir à explicação
sociológica. A Geometria Social não tem de ser a da intuição vulgar, mas a indicada
pela experiência.
2. Princípios de relatividade na
Sociologia:
a) só existe espaço social onde há matéria, onde há energia social; é de
relações que se formam os corpos, portanto — só há espaço social onde há
relações sociais; b) as sociedades obrigam os fatos sociais a variar segundo
verdadeiros potenciais dos seus campos: onde chega uma relação social, aí
começam espaço e tempo social, como surge o campo da gravitação onde quer que o
tensor material seja diferente de zero, isto é, onde quer que apareça energia.
II
PRINCÍPIOS FÍSICO-SOCIAIS
1. Princípios de simetria: a) uma razão de simetria não é
causa de nenhum efeito, e encontra-se nos efeitos a simetria das causas;
certos elementos de simetria podem coexistir com certos fenômenos, mas não são
necessários; o que é necessário é que certos elementos de simetria não
existam: é a dissimetria que cria o fenômeno; b) a dissimetria dos efeitos deve
encontrar-se nas causas, e os elementos de simetria das causas hão de achar-se
nos efeitos; o efeito pode ser mais simétrico que a causa, porém a causa não
pode ser mais simétrica que os efeitos; c) a simetria não é causa de fenômenos,
mas pode impedir que se produzam; d) às simetrizações intra-individuais
correspondem dissimetrias interindividuais, mas a formação de grupos sociais
cada vez mais largos inaugura outro ciclo, em que as dessemelhanças interindividuais
são tratadas, não como fenômenos entre indivíduos, mas no grupo social tido
como indivíduo; no indivíduo e nos grupos caminha-se para o máximo possível de
simetria intra-individual.
2. Princípio do insulamento dos sistemas: as sociedades são sistemas
relativamente fechados, nos quais se estabelecem processos evolutivos, que, em
parte, independem de outros sistemas; porém como tais corpos não se conservam
iguais em extensão e se dilatam, pela absorção e pelo aumento de volume ou
pela formação de sistemas mais largos, a evolução social tem de ser estudada
em pseudocírculos cada vez mais amplos (par andrógino, clã, família, tribo, etc.),
nos quais os fatos sociais são função das forças internas e externas do
sistema ou sistemas a que pertencem.
3.
Princípio
do determinismo: (concepção
contemporânea, não racionalista).
4.
Princípio
da inércia na Sociologia: inércia da matéria e da energia social.
5. Princípios de conservação e de
evolução:
a) princípio de conservação
da energia (e da matéria) social; b) princípios de evolução; exemplos:
princípio de diminuição do quantum despótico; lei da crescente
integração e dilatação dos círculos sociais. Nos sistemas sociais, a
progressiva adaptação produz a crescente estabilidade, a diminuição do quantum despótico; a dilatação dos
círculos sociais. É o caminho para o maximum de harmonia no mais largo
sistema possível. Tendemos para o melhor, na mais ampla extensão social, que é
toda a Terra. As leis sociais dizem isto; mas, se o dizem, é porque são
incluídas nas grandes leis universais de conservação, de maximum e de minimum.
III
PRINCÍPIOS BIOSSOCIOLÓGICOS
1.
Lei
da variabilidade: variações dos indivíduos; variações
dos corpos sociais (adaptação).
2.
Lei
de hereditariedade:
persistência da adaptação além do individuo; conservação através da série
individual.
3.
Lei
da seleção:
atende-se aos resultados das variações e,
pois, aos melhores espécimes, ao que maior equilíbrio traduz; no novo meio ou
nas novas condições do mesmo meio só resistem os indivíduos cujas qualidades
permitem prosperar e, como são eles os que persistem, é óbvio que são as suas
qualidades que se transmitirão e assentarão.
4.
Lei
da crescente estabilidade: a adaptação constantemente cresce (Fechner, Fetzoldt); opera-se a crescente adaptação, pelo princípio da
tendência à coexistência
dos estados compatíveis ou idênticos, em virtude do princípio do minimum de choques e do princípio
econômico do minimum de
gastos, de meios ou de força (Zoellner) .
5.
Principio
da adaptabilidade ao fim.
IV
PROCESSOS SOCIOLÓGICOS DE
ADAPTAÇÃO
Processo religioso (devotamente,
resignação, sacrifício, etc.).
Processo moral (confiança nos
atos de outrem e vigilância nos seus).
Processo estético (adaptação
pela criação e pelo gozo estético entre o ser vivo e o mundo).
Processo gnosiológico (verificação,
certeza, verdade).
Processo jurídico (justo e injusto,
confiança na ordem extrínseca).
Processo político (luta para a
organização e para formação da ordem intrínseca).
Processo econômico (egoísmo dos
indivíduos e de grupos, útil e inútil).
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